sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Secretário de Saúde diz que retomada de aulas não deve ser apressada, que pais devem ser consultados e aponta risco de lockdown na Paraíba

Prefeitos de João Pessoa, Campina Grande e Cabedelo autorizaram a retomadas das atividades nas escolas e instituições de ensino superior, na pandemia do novo coronavírus. (Foto: Walla Santos/ClickPB/Arquivo)

O secretário executivo Daniel Beltrammi disse ao ClickPB, nesta sexta-feira (2), que a Secretaria da Saúde aguarda a análise da Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre a retomada das aulas presenciais em João Pessoa, Campina Grande e Cabedelo. Os prefeitos desses municípios autorizaram a retomadas das atividades nas escolas e instituições de ensino superior, na pandemia do novo coronavírus.
Segundo Daniel Beltrammi, "fazer essas medidas de maneira açodada pode trazer reflexos que nenhum de nós deseja."
Ele também considera que os pais, mães e outros responsáveis deveriam ser consultados sobre esse retorno. "A opinião dos pais e das mães e dos responsáveis pelas crianças e adolescentes precisa ser ouvida. Pesquisas de opinião em cidades como São Paulo, por exemplo, demonstram que 75% dos pais e mães não são de acordo com a retomada das aulas dos ciclos presenciais pelos riscos envolvidos."
O secretário lembrou ao ClickPB que a maior parte do estado ainda não está na bandeira verde de classificação para a flexibilização. "A Secretaria de Estado da Saúde mantém o seu firme propósito e sua ação coerente de lembrar que a imensa maioria do estado da Paraíba, dos seus municípios, aproximadamente 200, seguem em bandeira amarela. Isso significa que nós estamos ainda em estado de atenção na pandemia, que os decréscimos de casos de óbitos não foram suficientes para nos levar a uma bandeira verde predominante em todo o estado. Ainda temos um número inferior a 20 municípios em bandeira verde."
Daniel informou que apenas na bandeira verde as aulas presenciais podem ser retomadas com protocolos de segurança. "Lembrar que a diferença das duas bandeiras é que em bandeira amarela as atividades educacionais presenciais elas não estão retomadas por questões de segurança sanitária. Somente na bandeira verde elas poderiam ser retomadas. Mas com a divulgação de planos de preparo e também de um calendário das atividades educacionais que pudessem responder a todas as famílias como seriam as atividades e as responsabilidades, obrigações sobre o ano letivo de 2020."
O secretário executivo revelou que nenhum dos municípios informou ao Governo do Estado os protocolos para retomada das aulas presenciais. "Nesse contexto também é importante lembrar a todos que, apesar dos municípios serem autônomos, com autoridades sanitárias, não houve nenhuma apresentação para o Estado de como seria esse processo (de retomada). Então nós não sabemos com clareza quais são as recomendações e planos para essas autorizações de retomada."
Ele citou o exemplo dos países europeus que sofrem nova onda de casos de Covid-19. "Nosso posicionamento é muito simples: nós temos observado os países, principalmente os europeus, que estão em momentos a frente na pandemia porque a pandemia começou primeiro, antes do Brasil e da Paraíba, nesses países. A posição deles é clara. Eu vou dar exemplos: países como a França, que agora estão com 16 mil casos ao dia, países como a Espanha, com 12 mil novos casos ao dia, países como a Inglaterra, com 6.800 novos casos ao dia, dizem bem claramente que essa retomada de casos novos se dá por dois tipos de situação: as atividades de trabalho em primeiro lugar e, no segundo lugar, a retomada das escolas e de universidades. Estados Unidos e Israel estão recomendando parada, Israel propondo lockdown."
Daniel falou de como Manaus precisou recuar após flexibilizar aulas presenciais. "A cidade de Manaus está em lockdown. Eu vou repetir: a cidade de Manaus, a tão recomendada e exemplar cidade de Manaus, que retomou a atividade educacional, está em lockdown desde o dia 25 de setembro. Precisaram parar a cidade mais uma vez."
"Fizemos um bom trabalho. O Governo da Paraíba ofertou e conduziu o Plano de Contingência com o máximo nível de seriedade e competência. Só não podemos retroceder", completou Daniel Beltrammi.

Lucas Isídio

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