segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Pesquisadores descobrem nova espécie muito rara de serpente na Paraíba e Pernambuco




A Caaeteboia gaeli é considerada muito rara, já pode ser enquadrada como ameaçada, não é peçonhenta ou agressiva, tem apenas 50 centímetros de comprimento e hábitos diurnos. Foto: Frederico França
Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) descobriram e descreveram cientificamente uma nova espécie de serpente. Três indivíduos da Caaeteboia gaeli foram identificados nos estados da Paraíba e Pernambuco. 
A espécie é considerada muito rara e já pode ser enquadrada como ameaçada, uma vez que a distribuição geográfica dela é muito restrita e os ambientes florestais nos quais ela ocorre estão cada vez mais escassos, que são fragmentos florestais de Mata Atlântica. 
O primeiro exemplar foi capturado em 2008, na Mata do Açude Cafundó, da Companhia São João, no município de Cruz do Espírito Santo, na Paraíba. O segundo indivíduo foi apenas fotografado no município de Saloá, no estado de Pernambuco. E o terceiro indivíduo foi capturado em 2018, no município de Pedras de Fogo, na Paraíba. 
A descoberta aconteceu como resultado de pesquisas sobre ecologia e conservação da herpetofauna (répteis e anfíbios) presente na porção nordeste da Mata Atlântica, mais conhecida como Centro de Endemismo Pernambuco. Esses estudos são desenvolvidos pelos pesquisadores Frederico França, Gentil Filho e Gindomar Santana. 
A espécie Caaeteboia gaeli não é peçonhenta ou agressiva. É considerada pequena, com aproximadamente 50 centímetros de comprimento, e tem hábitos diurnos. Essa nova espécie pertence a um gênero raro (Caaeteboia Zaher et al.), que era, até então, representado por uma única espécie (Caaeteboia amarali), que se distribui de Santa Catarina até a Bahia. A nova espécie descoberta pelos pesquisadores da UFPB amplia a distribuição do gênero Caaeteboia para aproximadamente 700 quilômetros ao norte. 
“Além da espécie nova, temos encontrado uma alta diversidade de serpentes nos fragmentos de floresta que têm sido estudados. Isso reforça a importância da preservação desses remanescentes de Mata Atlântica que ainda existem ao longo da costa do Nordeste e que abrigam altos níveis de endemismo e diversidade”, defende o professor do Programa de Pós-graduação em Ecologia e Monitoramento Ambiental da UFPB, Frederico França. 
Os pesquisadores da UFPB continuam inventariando os fragmentos florestais em busca de mais indivíduos para entender melhor a ecologia da espécie e determinar seu papel funcional nesse ambiente tão ameaçado. Também contribuíram para o achado os pesquisadores Giovanna Montingelli e Hussam Zaher, da Universidade de São Paulo (USP), além de Fausto Barbo e Felipe Grazziotin, do Instituto Butantan.

Assessoria

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