terça-feira, 25 de agosto de 2020

OMS pede cautela com plasma para covid-19 após autorização dos EUA




Foto: divulgação/Unimed JP
 Após a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de remédios dos Estados Unidos, autorizar o uso de plasma de pacientes recuperados de covid-19 para tratar doentes, neste domingo (23), a Organização Mundial de Saúde (OMS), apontou nesta segunda que os indícios que apontam a eficiência do tratamento é de “baixa qualidade”.
A FDA emitiu uma autorização emergencial do chamado plasma convalescente, após o presidente Donald Trump acusar a agência de segurar o lançamento de vacinas e terapias por “motivos políticos”.
A técnica consiste na retirada de plasma com anticorpos de pacientes que se recuperaram da covid-19 para dá-los àqueles que estão sofrendo infecções ativas graves, na esperança de que se recuperem mais rapidamente.
De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, em entrevista à Reuters, só alguns testes clínicos com plasma convalescente produziram resultados. Além disso até agora os indícios não foram convincentes o bastante para aprová-lo, a não ser como terapia experimental. Embora alguns testes tenham mostrado algum benefício, explicou ela, foram pequenos e seus dados são inconclusivos por enquanto.
“No momento, ainda são indícios de muito baixa qualidade”, disse Swaminathan em entrevista coletiva. “Por isso, recomendamos que o plasma convalescente ainda seja uma terapia experimental, ele deveria continuar sendo avaliado em testes clínicos aleatórios bem concebidos.”
Outro motivo é o fato de os estudos sobre a técnica serem conflitantes. Na China, uma pesquisa indicou que o plasma de duas pessoas que se recuperaram do novo coronavírus não fez diferença em pacientes hospitalizados, já outra análise aponta que ele pode diminuir o risco de morte.
Bruce Aylward, conselheiro-sênior da OMS, acrescentou que, além da eficiência do plasma, também existem riscos de segurança em potencial que precisam ser verificados. “Existem vários efeitos colaterais”, disse ele, que vão de febres suaves a lesões pulmonares graves ou sobrecarga circulatória. “Por essa razão, os resultados de testes clínicos são extremamente importantes.”
Neste mês, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA anunciou que está concedendo milhões de dólares para um teste de estágio intermediário de plasma convalescente.
Paraiba.com.br

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