segunda-feira, 27 de abril de 2020

Demissões no setor de restaurantes chegam a 900 mil no Brasil

Foto: Secom/PB
Foto: Secom/PB – Arquivo
PAULA SOPRANA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quarenta por cento dos bares e restaurantes de São Paulo podem fechar as portas em definitivo até o término da crise provocada pelo novo coronavírus, estimam empresários ouvidos pela Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes) SP.
A entidade realizou uma enquete online em que 125 associados, que representam 375 estabelecimentos do estado, responderam sobre a permanência dos negócios após a pandemia de Covid 19. A maioria deles, cerca de 70%, respondeu que prevê o fechamento de 40% dos bares e restaurantes após a crise.
A projeção é baseada em uma enquete, portanto não tem números definitivos e caráter científico.
A expectativa de Percival Neto, presidente da Abrasel SP, é que 900 mil empregos tenham sido extintos do setor no país.
O número é semelhante ao da ANR (Associação Nacional de Restaurantes), que projetou 1 milhão de cortes.
“O passivo só cresce, e as pessoas estão preocupadas em equacionar as contas. Além da dificuldade atual com a pandemia e o isolamento, restaurantes estão com receio do período posterior, o da recessão”, diz Percival.
A grande maioria das empresas, segundo ele, está adotando as medidas anunciadas pelo governo federal para segurar empregos, com corte de salários e redução de jornadas. Há muitos que realocam equipes para dar conta do delivery.
Para 59% dos entrevistados, entretanto, o auxílio não foi suficiente. Para 35%, foi, mas o processo travou pelo atraso e pela dificuldade de acesso a crédito nos bancos.
Dentre os entrevistados, 61% defendem o isolamento social e que a volta da atividade econômica ocorra de modo gradual e seguro. Outros 20% defendem isolamento total e 14%, a reabertura.
A quarentena em São Paulo vai até 10 de maio, pelo menos, para todos os municípios do estado. Fica proibida até lá a abertura de restaurantes, que só podem operar por delivery.
Os restaurantes se preparam para o retorno com protocolos sanitários diferentes, já que “o novo normal” do comércio gastronômico deve incluir distanciamento de 1,5 metro entre mesas, rotinas acentuadas de higienização, uso de máscara por empregados e pela clientela.
Outra pesquisa do setor, divulgada no dia 17 de abril pela ANR (Associação Nacional de Restaurantes), diz que 76,11% dos bares e restaurantes já demitiram funcionários durante a pandemia no Brasil. O total de desligamentos chegaria a 1 milhão.
A ANR questionou os associados sobre a manutenção dos negócios depois da crise do novo coronavírus. As respostas foram mais otimistas em relação à pesquisa da Abrasel SP: 78,57% disseram que poderão manter o negócio aberto, enquanto 21,43% afirmaram que não deverão reabrir.
A ANR representa mais de 9 mil pontos comerciais do país, entre redes, franquias e restaurantes independentes. Antes da crise, o setor empregava cerca de 6 milhões de trabalhadores.

FOLHAPRESS

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