sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Até que ponto RC suportará Calvário do “ninguém solta a mão de ninguém”?

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A frase é célebre. Partiu de uma voz até então forte, pulmão cheio e conduta ilibada. Foi dita no mês de março deste ano, tornando-se, na época, símbolo de uma resistência subliminar que hoje começa a fazer sentido. “Neste governo aqui, ninguém solta a mão de ninguém!”.
O autor do enigmático dizer foi proferido pelo ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) que, como toda a Via Láctea sabe, é apontado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) como gestor-mor da Organização Criminosa (OCRIM) que atuava no estado.
Coutinho, preso na noite de ontem, quinta-feira (19), sob força de um mandado de prisão preventiva, no âmbito da Operação Calvário – Juízo Final, estava fora do país e chegou a ter seu nome incluído na difusão vermelha da Interpol. Além dele, ex-secretários da sua gestão, empresários e colaboradores do suposto esquema já se encontram presos.
Dos 17 mandados de prisão na Paraíba, dez foram cumpridos, incluindo o de RC, havendo a revogação da decisão que incidia sobre a deputada estadual Estela Bezerra (PSB), por ter ela foro privilegiado. Mas o norte da minha escrita, na coluna de hoje, não é discutir o sexo dos anjos, a inocência ou culpa dos citados pelo MPPB. Haverá tempo para a defesa ampla, respeitando o contraditório de todos os supostos envolvidos.
A minha agulha imantada aponta para o norte magnético direcionada a Ricardo Coutinho. A dúvida que paira está centrada na reação do ex-governador a partir de agora, que já está em solo da “terra brasilis”, mas especificamente na Paraíba.
O ex-governador contratou o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, para assumir a sua defesa. O advogado já entrou com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para evitar que ele seja preso quando chegar ao Brasil.
Mas o socialista já está preso, e nessa prisão, que tem, antes de tudo, significado simbólico do ponto de vista jurídico e político, resta saber se Ricardo Coutinho permanecerá em silêncio na frialdade de uma cela com poucos metros quadrados?
Ou, orientado por seus advogados e “atiçado” por seu próprio juízo de valor, optará por uma delação premiada, como fez seus ex-secretários Livânia Farias e Ivan Burity, a fim de minimizar danos maiores numa eventual condenação?
A escolha é difícil, e pior: todos os envolvidos no suposto esquema de corrupção estão soltando as mãos. Será Coutinho o próximo, levando para a vala comum outros nomes que permanecem no “limbo”, mas com chances de serem os próximos a amargar o gosto metálico das vigorosas grades encontradas nos presídios?
Buba Germano e Ricardo Barbosa foram citados na Calvário, apesar de não terem sido alvos, até agora, de mandados.
Buba Germano (PSB) foi citado em conversa por Ricardo Coutinho, segundo consta em relatório que embasa o pedido da prisão preventiva do ex-governador na 7ª fase da Operação Calvário, deflagrada na terça-feira (17).
Segundo as investigações, em uma reunião na Granja Santana, residência oficial do governador, Ricardo determina ao secretário, Waldson de Souza, também preso na Calvário e ao deputado, que “andem pelos municípios”.
Já Ricardo Barbosa ( PSB) foi citado por Daniel Gomes, líder da Cruz Vermelha Brasileira, em delação ao Poder Judiciário.
Segundo o empresário, o esquema funcionava da seguinte forma: o gabinete do deputado emitia notas como pagamento de serviços jurídicos, e o dinheiro era repassado de volta para Barbosa.
Em nota, Ricardo Barbosa desmentiu Daniel Gomes, classificando a delação como “uma denúncia leviana e totalmente desprovida de provas contra nossa pessoa”.
E sem acusar os parlamentares, pois essa não é a função do jornalismo sério, fica a indagação já posta no início do texto. Caso Ricardo Coutinho resolva fazer acordo de delação premiada, os dois deputados podem ter problemas jurídicos?
Bem, essa é uma pergunta ainda sem resposta. Especular seria e é ato leviano. Resta aguardar os possíveis desdobramentos “bombas”, ou não com o retorno concretizado do ‘Mago’. Tudo dependerá da estratégia traçada pela banca advocatícia do ex-governador.
E as mãos continuam se soltando!
Eliabe Castor
PB Agora

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