sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Cultivo da maconha para fins medicinais será tema de discussão durante evento em João Pessoa

Na Paraíba, a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace) conseguiu autorização da justiça para cultivar e produzir produtos medicinais para cerca de 1.000 pacientes no estado, mas o preconceito e a burocracia dificultam o uso do canabidiol, o princípio ativo da maconha, em tratamentos de pessoas como Camile Gonzalez Rocha, de 25 anos. Nascida com má formação cerebral, o que causou um atraso no desenvolvimento e uma epilepsia de difícil controle, ela usa a medicação à base de canabidiol desde 2014, sendo uma das pioneiras no estado.
Assunto polêmico dentro da comunidade científica em todo o país, o cultivo da maconha para fins terapêuticos será tema de discussão de um workshop em João Pessoa. O evento é direcionado para pacientes que precisam da medicação à base do canabidiol, familiares dos doentes, membros de associações e instituições que representem ou trabalhem para esse público, além de pesquisadores, profissionais da saúde e estudantes interessados no assunto.
Ministrado pelo antropólogo e pesquisador Sérgio Vidal, que desde 2001 estuda o assunto, o workshop vai discutir alternativas para a obtenção legal da cannabis. Segundo ele, ainda persiste esta dificuldade por parte das famílias de pessoas que necessitam do produto. Nesta quarta-feira (8), uma família foi autorizada pela Justiça Federal do Paraná a importar sementes de maconha e cultivar 16 pés para a extração artesanal de óleo medicinal de cannabis para tratamento de uma criança de dez anos com epilepsia grave e transtorno do espectro autista. De acordo com a liminar, o direito à saúde e à vida prevaleceu no caso.
A partir de 2006, com a lei 11.343, o uso medicinal da cannabis foi legalizado, entretanto só depois de uma pressão popular foi que a regulamentação passou a ser iniciada. Apesar da regulamentação caminhar de forma lenta, diversas pessoas já possuem autorização para importação de remédios à base de cannabis, mas o número de pacientes que podem cultivar ainda é baixo.
De acordo com Vidal, o curso pretende focar em uma discussão sobre o cenário jurídico atual em relação ao uso medicinal da planta, além de apresentar suas características e detalhes sobre o cultivo. “Desde de 2010 estou realizando cursos relacionados ao cultivo da planta com o intuito de ajudar famílias que precisam usá-la de forma medicinal e como acontece a luta na justiça”, destacou Sérgio.
O workshop sobre cultivo de cannabis medicinal terá início às 14h do sábado (11), na Hera Bárbara que fica localizada na Praça Antenor Navarro, no bairro do Varadouro, em João Pessoa. Para realizar a inscrição a pessoa precisa ser maior que 18 anos e pagar uma taxa de R$ 70.
Segundo a mãe de Camile, Marília Leite Gonzalez Rocha, a família passou a importar a medicação à base de cannabis de forma alternativa, mas conseguiu ganhar uma causa na justiça que possibilitou o uso legalmente. Segundo ela, os resultados foram animadores, pois houve uma redução significativa em crises convulsivas da filha e melhora cognitiva.
A luta para o uso do medicamento em Camile foi intensa, por conta com altos valores e enorme burocracia na justiça. Atualmente Marília relatou que os medicamentos da filha estão sendo mudados “Camile está passando pelo processo de desmame das medicações tradicionais e aderindo apenas a remédios naturais”, relatou a mãe da jovem.
CLICKPB

BORGES NETO SE LIGA PARAÍBA

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